Existe uma idade mínima para colocar aparelho?
Qual seria o momento ideal?
Este post é para você que sempre quis tirar essas e outras dúvidas sobre a ortodontia. Para saber mais, continue com a leitura.
O que faz a ortodontia?
A ortodontia é a área da odontologia que busca tratar os problemas de maloclusão dental, ou seja, problemas de más posições dentárias.
Porém, em um contexto mais amplo, vai muito além desta simples definição.
Com a ortodontia, se estuda cada caso específico, de cada paciente, analisa-se detalhadamente qual a origem, a causa, do problema do mau posicionamento dental, a fim de que o melhor diagnóstico e tratamento seja realizado.
Os efeitos dos tratamentos ortodônticos não estão limitados apenas nos dentes. Muito pelo contrário, estuda-se também toda parte óssea do paciente, mais precisamente o terço inferior da face.
É nele a maior área de atuação do ortodontista, onde localizam-se os ossos da maxila (superior) e mandíbula (inferior).
Como é feita a avaliação ortodôntica do paciente?

A saber, para que o tratamento ortodôntico seja eficaz, isto é, dê certo, uma série de fatores precisam ser muito bem analisados.
Portanto, uma bateria de exames completos do paciente é solicitada, bem como radiografias extra e intrabucais, modelos de estudo das arcadas superior e inferior, registro de mordida, entre outros.
Com base em todos esses exames (além de examinar o paciente clinicamente), o ortodontista vai dispor de dados mensuráveis para estudar o caso e montar um planejamento adequado.
É de suma importância esclarecer, que todos os casos são muito particulares, ou melhor, cada paciente é único.
Assim sendo, os tratamentos são muito individualizados, não existe “receita de bolo”, tudo é muito subjetivo.
Quais benefícios do tratamento ortodôntico?
O tratamento ortodôntico promove inúmeros benefícios para os pacientes, tais como:
-Previne precocemente o desenvolvimento de problemas de mau posicionamento dental;
-Corrige a posição dos dentes nas arcadas;
-Melhora a autoestima do paciente;
-Promove uma melhora na segurança e confiança do paciente, para lidar com suas atividades diárias, como no trabalho por exemplo;
-Melhora da mastigação dos alimentos;
-A comunicação torna-se melhor, já que os sons das palavras soam naturalmente quando nossos dentes estão alinhados;
-Melhora da higiene bucal, pois como os dentes estão posicionados corretamente, fica mais fácil a escovação, uso do fio dental, etc.
-Consegue-se uma melhora na saúde bucal, os tecidos de suporte dos dentes, como gengivas por exemplo, tornam-se mais saudáveis;
A idade cronológica ideal é muito controversa.
A princípio, existem profissionais que preferem iniciar o tratamento ortodôntico em seus pacientes, somente após a troca dos dentes de leite pelos permanentes, o que ocorre por volta de 12 anos aproximadamente.
Outros, porém, preferem ainda na fase de trocas, com a dentição permanente não completa totalmente.
Surpreendentemente, há tratamentos ortodônticos feitos em pacientes bem jovens, 7, 8 anos.
Isso ocorre, quando o odontopediatra ou ortodontista vê que um problema de maloclusão dental está iniciando, e a fim de evitar que se instale, utiliza alguns dispositivos, bem como aparelhos móveis, ou até mesmo fixos, por um determinado período de tempo.
Então, de uma forma geral, fica incoerente estipular uma idade específica para iniciar o tratamento.
Certamente, cada criança, cada paciente, é único, tem um tipo de crescimento diferente, uns mais cedo, outros mais tarde.
O que vai determinar a idade, o momento ideal para iniciar o tratamento, é a avaliação da situação pelo dentista.
Sem dúvida, é ele quem vai saber orientar os pais ou responsáveis, sobre quando iniciar, ou quando deve-se esperar um pouco mais.
Portanto, os pais ou responsáveis, precisam estar atentos ao crescimento e desenvolvimento de seus filhos, para que percebendo alguma alteração, as medidas necessárias sejam tomadas de imediato.
O acompanhamento desde cedo ao odontopediatra, é fundamental.
Primeiramente, é o odontopediatra quem vai estar atento às mudanças na dentição dos pequenos, como por exemplo, trocas de dentes de leite pelos permanentes, ordem correta das trocas, instruções de higiene bucal aos pais/responsáveis.
Da mesma forma, outros aspectos também analisados, são as bases ósseas da face da criança, como maxila e mandíbula.
Sendo assim, o ortodontista ou odontopediatra, avalia como está o crescimento e desenvolvimento destes ossos, se dentro da normalidade, ou se há algum problema de crescimento, como por exemplo crescimento acelerado, ou diminuído.
A parte óssea da face, merece muita atenção.
É certo afirmar que, havendo qualquer problema que não for diagnosticado pelo ortodontista e acompanhado ainda durante a fase de crescimento, este será levado para a fase adulta, o que dificulta e/ou inviabiliza muitos tratamentos.
São os ossos da maxila e mandíbula que suportam os dentes, logo, fica óbvio que havendo algum problema de crescimento e desenvolvimento neles, esse problema será transmitido aos dentes.
Por exemplo, se o osso da maxila cresceu menos do que deveria, não haverá espaço suficiente para que os dentes sejam acomodados de forma natural no arco.
Com isso, nosso corpo tende a buscar um equilíbrio, e acaba “compensando” a situação.
Surgem aí, problemas de maloclusão dentária, como apinhamentos dentários (dentes tortos), dentes girados, entre outros.
Sinais que merecem atenção dos pais: respiração, fala e mastigação das crianças.
Caso a criança apresenta dificuldade para respirar naturalmente pelo nariz, bem como dificuldade para falar ou mastigar, precisa de acompanhamento médico.
É imprescindível o tratamento precoce desses problemas pelo médico, normalmente otorrinolaringologista, ou fonoaudiólogo.
O objetivo é para que o crescimento e desenvolvimento da face e bases ósseas não fique comprometido.
Observa-se como é importante o cuidado que se deve ter com o crescimento e desenvolvimento das crianças.
Ao propósito, se as medidas necessárias forem tomadas o quanto antes, muitos problemas de assimetrias faciais, problemas de crescimento ósseo inadequado, serão evitados. Problemas estes que não chegarão na idade adulta.
Ainda assim, durante a infância, o ortodontista vai avaliar as necessidades do paciente, e pode utilizar como meios de prevenção de problemas de maloclusão, alguns dispositivos, como por exemplo o aparelho chamado mantenedor de espaço.
Este aparelho, como o próprio nome diz, serve para manter, assegurar o espaço para o dente permanente, nos casos em que o de leite foi perdido precocemente.
Ademais, se o aparelho não for instalado, ou outra medida preventiva, o espaço para o dente permanente acaba diminuindo, pois, os dentes vizinhos vão se acomodando e ocupando este espaço.
Como resultado, instala-se aí um problema, que precisará ser corrigido posteriormente, com o paciente mais velho, sendo seu tratamento mais difícil, tanto para o ortodontista, quanto para o paciente.
Com efeito, os exemplos acima, ressaltam a grande importância do acompanhamento do crescimento da criança, por um odontopediatra e ortodontista.
Com toda a certeza, inúmeros problemas de maloclusão podem ser prevenidos e interceptados.
Ortodontia na idade adulta
Conforme sabe-se, está cada vez mais comum a busca por tratamentos ortodônticos na idade adulta, incluindo pacientes mais velhos.
Todavia, isso ocorre por diversos motivos, como por exemplo, melhor situação financeira, melhor compreensão e comprometimento com o tratamento, além dos motivos já mencionados acima, como para melhorar a estética do sorriso, a oclusão e a fala.
Antes de mais nada, os tratamentos ortodônticos estão evoluindo muito, cada vez mais surgem no mercado novas técnicas, novos materiais e recursos sobretudo que facilitam e agilizam a movimentação dentária.
Limitações do tratamento em adultos
De fato, existe uma certa “desvantagem” da ortodontia em adultos, quando comparada com pacientes jovens ainda em crescimento.
Em outras palavras, na idade adulta, o crescimento e desenvolvimento ósseo já foi concluído, logo, a posição dos dentes vai ser corrigida, como se fosse “compensada” à estrutura óssea que o paciente apresenta.
A movimentação dentária tende a ser mais lenta se comparada com pacientes jovens.
Da mesma maneira, deve-se estar atento a qualidade dos tecidos que suportam os dentes em posição, como ossos, ligamentos e gengivas.
Essa região precisa estar saudável, sem doença periodontal, de tal forma que não tenha perda óssea, pelo contrário, para que o tratamento ortodôntico não cause danos à essas estruturas.
Á saber, doenças sistêmicas como a osteoporose, (perda de massa óssea durante o envelhecimento) também podem dependendo da situação, inviabilizar o tratamento ortodôntico.
Segurança durante o tratamento
Porém, cabe ressaltar, que em função da evolução da ortodontia, dos materiais, da utilização de forças mais leves e contínuas, está cada vez mais seguro realizar os tratamentos em pacientes adultos.
Nesse sentido, o ortodontista, vai estar atento as queixas do paciente quanto à melhora de seu sorriso, e vai avaliar a situação de forma individualizada.
Sempre buscando adequar as expectativas de seu paciente, com suas reais necessidades.
Em resumo, caso seja preciso, exames mais específicos podem ser solicitados, para que um correto diagnóstico seja realizado, bem como um planejamento detalhado e seguro do caso.
Conclusão
-Em suma, a ortodontia não apenas alinha a posição dos dentes, muito mais que isso, devolve ao paciente um sorriso harmônico, um equilíbrio estético do sorriso.
-Eleva a autoestima dos pacientes, melhora sua segurança e confiança para executar atividade diárias.
– Não só restabelece a oclusão (mordida), como também melhora a fonética, a higiene bucal e a integridade dos tecidos de suporte dos dentes (ossos, ligamentos e gengivas)
-É de suma importância, que a criança tenha contato com o cirurgião-dentista ou odontopediatra, o mais cedo possível. Pois o profissional poderá prevenir a instalação de diversos problemas de maloclusão dental.
-Não há idade cronológica certa para o acompanhamento da criança com ortodontista.
Autora Dra. Michele Daiane Bedendo, cirurgiã-dentista formada pela Universidade Luterana do Brasil. Cursando especialização em ortodontia pela Associação Gaúcha de Ortodontia
